• Ana Pinto

Uma Questão de Escolha




Ainda que não estejamos completamente conscientes disto, a verdade é que a nossa vida muda de direção a cada decisão diária. Isto acontece na simplicidade de escolhermos uma rua diferente para regressarmos a casa, acordarmos com um pensamento positivo ou quando decidimos mudar para um emprego diferente. Devem ser milhares de escolhas que fazemos por dia, sendo que provavelmente 95% destas não temos qualquer consciência que alteram o rumo do nosso dia, e por consequência da nossa existência.

Há cinco anos atrás eu acreditava que não tinha praticamente controlo nos acontecimentos da minha vida. Sentia-me à mercê do que me rodeava e que não existia solução para melhorar o rumo da minha existência. Onde quer que estivesse sentia-me frustrada e sem acreditar na vida que tinha. Não me sentia bem nas cidades onde morava, nos empregos onde trabalhava. Não me sentia bem ao comer de forma saudável, nem ao comer fast food. Não me sentia bem sendo social e não me sentia bem sozinha.

Mas não terão sido sempre decisões tomadas por mim? Ou será que não escolher de todo foi na verdade, a minha própria escolha de me colocar à mercê, deixando o Mundo escolher por mim?

É neste ponto que entra o Yoga e o seu propósito: a Consciência.

Quando a consciência surge nas nossas vidas muda tudo, e nunca mais conseguimos acreditar que é o Mundo que decide por nós. Deixamos de nos sujeitar a decisões por impulso ou pelo que os outros acreditam ser o melhor para nós. Abre-se uma porta de possibilidades, construída por nós, para um leque infinito de alternativas e escolhas. Escolhas nossas! Escolhas conscientes!

A consciência da minha vida foi surgindo, não aconteceu de repente. Fui começando a criar mudanças com pequenas tarefas no dia-a-dia que acabaram por se tornar em grandes transformações. E quando fui consciente que as mudanças que fiz não chegavam eu decidi parar. E a decisão de parar foi a minha primeira decisão consciente. A partir desse ponto, e ainda que os problemas fossem os mesmos, reinou a paz interior.

E este é o segredo do Yoga. Este é o segredo da Consciência. Independentemente do desconforto das diferentes fases e escolhas da nossa vida, a paz e a tranquilidade interior devem estar sempre presentes. Pois uma vez tranquilos, não há possibilidade de não sermos conscientes nas nossas escolhas.

Posso concluir que, na minha visão, existem 3 passos para escolhas mais conscientes:


1. Mudança com pequenas tarefas diárias

Qualquer coisa que queiramos implementar ou eliminar da nossa vida, deve ser feita diariamente e sem pressa. O segredo é caminharmos em pequenos passos, pequenas tarefas, para que as nossas mudanças possam ir ganhando consistência na nossa mente. Não existe o objetivo final de sermos 100% conscientes, mas em sermos um pouco mais lúcidos a cada dia que vivemos.

2. Começar e terminar o dia com uma decisão consciente

Esta foi a forma que encontrei de sentir pela primeira vez a consciência nas minhas escolhas, que acabou por trazer confiança e segurança para os momentos de incerteza. Não quer dizer que consigamos todos os dias exatamente como queremos. Eu não consigo começar sempre o meu dia a beber um copo de água. Mas a persistência nestes pequenos gestos é que nos dará força para os dias incertos.

3. Espaço para a criatividade

Tão importante é termos consistência em certas escolhas, como deixarmos espaço para surgir o inesperado. Eu posso começar o dia a beber um copo de água e terminar a ler um livro. Mas a dado ponto do meu dia eu tenho de me permitir deixar fluir, e permitir que a vida me surpreenda. Uma vez mais, é ter consciência que neste momento nos encontramos livres para o que vier de novo. E aceitar.

Foi este o poder que o Yoga teve na minha vida. Escolhi começar um dia por semana, e conforme fui dando espaço para mais Yoga tive a oportunidade de conhecer esta bonita dança que é a vida. Entre a certeza e a incerteza, o equilíbrio e o desequilíbrio, a consciência e a impulsividade, as escolhas e a ilusão. E é todo este autoconhecimento que me permite estar em paz. Principalmente com as minhas escolhas.


A vida podia ser completamente diferente, mas se houver consciência nas nossas escolhas, só podemos aceitar o seu desfecho.



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