• Ana Pinto

Retiro Espiritual - O Regresso ao Quotidiano


Quando existe uma experiência espiritual intensa, a nossa mente transforma-se e nunca mais é a mesma. Não existe forma de retroceder na aprendizagem quando existe consciência do verdadeiro significado de amor próprio. Todas estas experiências podem ser de um grande enriquecimento pessoal e proporcionar-nos uma paz imensa. Inevitavelmente todas elas têm um tempo de duração e é depois de cada aventura que chega o momento de regressar. No entanto, regressar a casa não tem de ser necessariamente um fim ou motivo de ansiedade. O fim não faz parte da nossa vida se soubermos o verdadeiro significado de um recomeço.


Existem inúmeras formas de obtermos informação de como chegar a estas experiências. Sejam retiros silenciosos, caminhadas, lugares calmos na natureza ou programas detalhados para a construção da nossa consciência. E depois, como regressamos ao nosso dia-a-dia, às nossas relações, ao nosso meio profissional? Como regressamos ao quotidiano após um momento que nos muda tantas vezes de forma radical? Estas inseguranças existem, e a forma como observamos o mundo é tão diferente que surge a questão: “Como vou colocar em prática tudo o que aprendi no meu dia-a-dia?”.

Rapidamente cheguei à conclusão de que não existe uma resposta mágica para esta questão. Tão complexo é o trabalho de aprendizagem como a prática da mudança gerada. De nada nos serve aprender em teoria se não a colocarmos em cada atividade da nossa vida. Estes foram os grandes ensinamentos do meu regresso:

Re-adaptar o nosso lar.

O primeiro contato que surge num regresso é a nossa casa. Uma vez que grande parte destas experiências nos permitem um maior contato com a natureza, podemos desde logo sentir pouca luminosidade natural ou mesmo uma sensação de claustrofobia. É muito importante adaptar a casa à nossa nova realidade e crescimento: minimizar os espaços e criar um local de meditação, para que assim exista a privacidade e tranquilidade necessárias para nos sentirmos o melhor possível.

Socializar de forma gradual.

Após um período de isolamento social, é comum existir alguma sensibilidade em quebrar o silêncio ou aguentar o simples ruído do trânsito ou de um café. As movimentações podem ser geridas de forma gradual para uma adaptação mais saudável. O mesmo se aplica ao contato com outras pessoas, bem como o regresso ao mundo das redes sociais.

Aceitar o Mundo tal como ele é.

Nem sempre o que nos rodeia se transforma connosco e há situações, pessoas e relações que nunca deixarão de ser como são. Não é possível transformar tudo à nossa volta de forma a vivermos como num retiro espiritual. Devemos aceitar que vivemos nesta sociedade e tentar fazer a diferença todos os dias dando o exemplo com as nossas melhores práticas.

Escrever para não esquecer.

Tão importante é a escrita durante o período em retiro como a sua continuidade. Com a escrita podemos analisar mais tarde todo o nosso crescimento, fundamental para os passos que vamos querer dar no nosso dia-a-dia. Tal como reler tudo o que se escreveu em retiro nos ajudará a construir uma nova vida e hábitos mais felizes, o mesmo acontecerá no nosso quotidiano e na evolução que queremos ter.

Compaixão pela nossa alma.

Para tudo na vida é preciso tempo e espaço de adaptação. É preciso acreditarmos em nós próprios e sabermos que hoje somos mais capazes de tomar decisões conscientes por nós e por um Mundo melhor.

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