• Ana Pinto

Meditação Guiada para Iniciantes

A meditação é uma prática importante para o trabalho interior. É através da meditação que ganhamos a cada dia uma maior consciência do nosso corpo e da nossa mente. É quando nos permitimos parar que verificamos os nossos ruídos mentais, as nossas projeções, expectativas ou recordações que grande parte das vezes nos condicionam, impedindo-nos de viver uma vida plena no momento presente.


Quando comecei a meditar sentia-me muito perdida, por sentir que não existia um propósito ou uma motivação, e não conseguia manter a minha mente focada por meros cinco minutos. Foi na minha viagem pela Serra de Monchique que obtive alguns ensinamentos sobre como meditar, e que transformaram por completo a minha vida.

Desta forma partilho com os meus leitores o guia das minhas primeiras meditações. Como não sabia por onde começar, comecei por desvelar a mais básica questão: “Quem sou eu?”.


Conselhos para a sessão


Paramos por uns instantes e encontramos uma postura confortável, tendo sempre em atenção a verticalidade da coluna. Para isso, podemos imaginar um fio invisível que puxa o topo da cabeça para cima.




Uma vez sentados e de olhos fechados, é importante saber qual a intenção da nossa prática. Isto ajudará a abrir a mente ao pensamento e a funcionar pelos motivos corretos.

Esta prática será importante para qualquer ação na nossa vida.


Concentração na respiração, existindo algumas formas de manter o foco:

Podemos colocar as nossas mãos no peito e na barriga, para nos focarmos nas movimentações do corpo ao respirar; Focar a atenção no ponto entre as nossas sobrancelhas ou nas narinas.

Desta forma, quando nos perdemos nos pensamentos, existe sempre um lugar para regressar.

Reflexão



“Todos os seres vivos desejam ser felizes, sempre, sem qualquer sofrimento. Em todos se observa um amor supremo por si próprio.

E só a felicidade é a causa do amor. Por isso, para obter essa felicidade que é a nossa própria natureza e que é experienciada no estado de sono profundo, na ausência da mente, devemos conhecer-nos a nós próprios.

Para tal alcançar, o Caminho da Sabedoria, a investigação na forma de “Quem Sou Eu” é o meio principal.”


A partir do momento em que a mente se foca na questão, permitimos que todos os pensamentos que nos limitam, as falsas realidades que criamos e as nossas expetativas desvaneçam, surgindo assim a tranquilidade.


Quando detetamos este tipo de pensamento em meditação, devemos questionar “A quem é que este pensamento surgiu?”. A resposta que irá emergir será “A mim”. Então se nos questionarmos novamente com a pergunta “E Quem Sou Eu?”, a mente regressa ao seu trabalho de foco e o pensamento que surgiu deixa de existir.

Ao repetirmos esta prática ao longo da meditação, a mente irá desenvolver uma maior e melhor capacidade de foco e concentração, permitindo que estes pensamentos percam o valor e a importância que nós lhes damos.


De uma forma consciente estas questões acabaram por fazer parte da minha vida, não só durante as práticas de meditação, mas também no meu dia-a-dia. Tornaram-se num método eficaz no meu trabalho de disciplina e sanidade mental. Hoje sei que não sou os meus pensamentos nem as minhas emoções, e que posso sempre escolher a forma como interpreto a minha mente.



Fonte: Quem Sou Eu? - Os Ensinamentos de Bhagavan Sri Ramana Maharshi

Centro de Retiros Karuna 2015


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