• Ana Pinto

Quanto tempo deve durar uma aula de Yoga?



Se és novo no Mundo do Yoga, poderás ficar surpreso em saber que esta metodologia foi mudando ao ritmo da sociedade. Hoje o Yoga não é mais posto em prática na sua forma original e tradicional. E ainda bem, pois demonstra que é uma modalidade flexível.


Há muitos anos atrás o Yoga era mais meditativo, virado para o trabalho da mente, pois a vida profissional das pessoas exigia esforço físico. Com o passar do tempo o nosso trabalho passou a ser mais sentado ao computador, sem necessidade de plantar o que precisamos para comer com acesso a supermercados, e a nossa vida foi-se tornando mais sedentária. E desta forma, também o Yoga se adaptou, acabando por surgir práticas mais ativas, como o caso do Hatha Yoga.


Aliado ao sedentarismo está também o nosso tempo, que apesar de termos muitas ferramentas e estruturas que nos tornam a vida um pouco mais simples, a verdade é que cada vez temos menos tempo. Houve um momento em que as aulas de Yoga tinham no mínimo 90 minutos de duração para serem totalmente completas.


Já imaginaste teres práticas diárias de 90 minutos de Yoga? Hoje em dia é completamente impensável para a grande maioria das pessoas, por muito boa vontade que tenham em desenvolver o seu autoconhecimento e bem-estar interior.


Atualmente surgem muitas questões de qual a duração ideal de uma aula e o que deve envolver.


No começo da minha vida Yogi, e ainda hoje, eu acredito que uma prática completa deve ter o mínimo de 75 minutos, envolvendo:

  • Pranayamas (Exercícios de Respiração)

  • Libertação de Tensões Físicas e Emocionais

  • Aquecimento geral da coluna vertebral

  • Flow com sequência de posturas ativas (Hatha Yoga Funcional)

  • Flow com sequência de posturas passivas (Yin Yoga)

  • Savasana (Relaxamento final)

Mas dou muitas vezes por mim com esta dualidade: enquanto aluna eu entrego-me muito a uma prática completa, mas muitas vezes acabo por fazer práticas de 30/40 minutos, por ser o ideal para o meu dia. Por um lado existe a necessidade de aulas longas por terem um efeito benéfico, não só em termos físicos mas principalmente porque consigo entrar em estamos meditativos e de foco mais profundos. Por outro lado as práticas curtas permitem-me praticar todos os dias.


Se enquanto aluna me surgem estas questões, como professora eu tenho de ter em consideração que muitos podem ter exatamente as mesmas dúvidas que eu.




Será que vale a pena fazer menos práticas, mas longas e profundas, ou ter práticas mais curtas e poder ter uma rotina diária?




Na verdade a resposta veio ter comigo ao longo do meu caminho, na prática dos Asanas no tapete. De que tudo é uma questão de equilíbrio e de nos sabermos escutar, dia após dia.

Tudo é uma questão de Consciência e de Entrega, e talvez seja preferível escutar o coração e fazer uma prática de 20 minutos profunda, do que nos forçarmos a uma prática de 60 minutos indisciplinada e sem Intenção.


Então a base para utilizarmos as ferramentas que o Yoga nos proporciona está na Intenção que colocamos a cada momento.



"O que faz sentido para o mim hoje?"

"Qual é a intenção/motivação da minha prática?"



São algumas perguntas que podes começar por fazer a ti próprio antes de começares a tua jornada. E esta mensagem serve para qualquer coisa que queiras implementar ou seguir na tua vida. O importante é existirem sempre intenções conscientes. A cada ação, gesto ou palavra connosco próprios.


 

Hoje em dia acabo por ser muito menos rígida comigo própria, e isso não significa menos disciplina ou foco mental. Todas as manhãs sento-me no tapete e questiono-me sobre o que faz sentido para mim. Há momentos que opto por práticas longas, passivas, curtas, ou simplesmente deito-me e medito o tempo que sinto que é necessário. Gosto muito de ser aluna e deixar-me guiar por práticas de outros professores, e há momentos em que sinto necessidade de não ser guiada e criar a minha própria prática, livre de relógios e de tempo.


Mais importante do que a duração de uma prática, está a tua entrega e intenção no tempo que tens disponível e que sentes que precisas. Será sempre melhor do que nada fazeres por receio de não ser “o ideal”.

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