• Ana Pinto

Criar uma Comunidade de Yoga em tempo de Pandemia


Já sentiram a dado ponto que cresceram muito para além do que tinham considerado possível? Aconteceu comigo neste ano 2020, com o desejo de criar uma comunidade de Yoga numa pequena região do Alentejo. Eu podia ter começado numa cidade, procurando um espaço onde já existissem alunos ou pessoas com forte interesse e experiência em praticar Yoga. Mas o sonho era o de criar uma comunidade, onde o Yoga estivesse livre de vícios, de crenças ou exigências. Enquanto planeava a abertura do estúdio em Viana do Alentejo, houve uma frase que me chamou a atenção: “Se tu construíres, eles virão”. E então eu dei o primeiro passo!


Durante 6 meses planeei a realização deste projeto que é ThinkYoga, quando a pandemia surgiu e nos vimos todos em casa, em confinamento obrigatório. O que me deixa tranquila é que rapidamente aceitei o que estava a acontecer, e fiz algumas alterações para a abertura do espaço em Setembro. Tive assim a oportunidade de me dedicar inteiramente à produção da imagem e do website, à criação do blog e na minha formação profissional em yoga, design gráfico, marketing digital e em como criar o próprio negócio. A primeira aula de Yoga que partilhei foi a 12 de Setembro de 2020. Estava um dia brilhante, e apesar do estado atual do país, em plena pandemia covid-19, eu tive a sala cheia dentro do que era possível. Fui o mais generosa possível com a expectativa latente dentro de mim, e acreditei que se tivesse 3 inscrições até ao final do ano seria um bom começo. A verdade é que cheguei ao fim do ano com 15 inscrições, e não poderia estar mais agradecida!


Passados 4 meses da abertura do estúdio, o impacto da pandemia faz-se sentir num espaço que está aberto para receber pessoas. As constantes alterações de rotinas, as restrições e as quarentenas. E acrescentando a tudo isso estão as nossas próprias limitações pessoais que muitas vezes nos impedem de começar algo novo, de darmos o primeiro passo, de acreditarmos que merecemos ter aquele tempo só para nós, para nos equilibrarmos interiormente.


Com a minha humilde experiência como Professora de Yoga, eu aprendi que é com paciência, resiliência e dedicação que a comunidade cresce. Que tudo o que vale a pena leva tempo, e se não formos nós a acreditar primeiramente no projeto, mais ninguém acreditará. Que quando nos dedicamos a ter um estúdio aberto, 30% do nosso tempo deve ser dedicado ao serviço e 70% de dedicação aos alunos, à criação e planeamento de aulas, à nossa própria prática, evolução e formação, e na promoção do nosso espaço.


Para aqueles que acreditam nos seus sonhos e nos seus projetos, saibam que uma pandemia é apenas mais uma pedra no caminho. Sejam sempre honestos e humildes, e cumpram cada tarefa com o coração, sem qualquer tipo de tensão emocional ou de julgamento. Saibam que é preciso ter paciência e sabedoria para pedir ajuda. E se todos os passos que derem forem sempre com consciência, saberão que tomaram a decisão certa.


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